"O santuário do Futebol"

1 de mar. de 2019

3 motivos pra acreditar que o PSG nunca será campeão europeu






https://images.performgroup.com/di/library/GOAL/ee/f4/nasser-al-khelaifi-psg-paris-saint-germain_13uha7pve37591gps855gsvppi.jpg?t=-47547623

A princípio pode parecer falaciosa a afirmação, afinal o PSG conta hoje com o terceiro elenco mais caro do mundo, com o jogador mais caro e com a folha salarial mais cara do mundo. Não tem como um time desse não conquistar a competição mais cobiçada certo? Errado. Existem 3 motivos para que isso não aconteça:

  1. CAMPEONATO FRANCÊS
    https://www.gazetaesportiva.com/wp-content/uploads/imagem/2018/04/15/000_1423T1.jpg

    O primeiro e maior fator pra acreditar na derrocada do clube francês é o péssimo nível do campeonato nacional. Desde que Nasser Al-Khelaïfi adquiriu 100% dos direitos do clube ele foi campeão em todos os anos, na temporada 2017/18 foi o sétimo título do PSG (e o quinto consecutivo) e em poucas ocasiões tiveram jogos em que o nível do competição fosse elevado. Isso é péssimo para o time que ao se acostumar a jogar sem dificuldades no Francesão o time sofre pra se encontrar em campo quando defronta adversários do mesmo nível (Vide a eliminação vexatória para o Barcelona de Neymar), e não existe nenhum prospecto para que a situação do campeonato se altere em algum momento.

    Aqui também entra a valorização do jogador, dada uma escolha o campeonato Francês sempre será preterido com relação a qualquer outro, qualquer jogador de nível mundial dará preferência 90% das vezes para jogar em um campeonato de mais qualidade. Para quem já está estabelecido financeiramente e tem reconhecimento mundial, dificilmente escolherá jogar no Francesão.

  2. VESTIÁRIO
    https://www.torcedores.com/content/uploads/2017/09/neymar-cavani.jpg

    Quando se tem um elenco com o nível do PSG o vestiário sempre será um problema, a não ser que você tenha um jogador que seja extremamente acima do nível mundano como era o caso do Barcelona com Messi e do Real com o Cristiano. Num time relativamente novo em que um aporte financeiro imenso foi feito para que os melhores fossem contratados, é inevitável que existam atritos entre os egos desses jogadores. Neymar e Cavani demonstraram isso na situação que ocorreu em 2017 que o PSG é uma terra sem dono, sem um MACHO ALFA, ou seja, até que exista algum jogador ou treinador que tenha o respeito de TODOS este tipo de situação continuará sendo inevitável e sempre acabará resultando no racha do elenco, como os galáticos enfrentaram em sua época.

  3. A FALTA DE PESO NA CAMISA
    http://cdn.espn.com.br/thumb/02a0af0b-3c21-497c-9567-7ae794d21dba.jpg

    Aqui entra um fator mais psicológico do que físico ou prático, nesse tipo de competição como a UEFA Champions League dificilmente um time que não tenha tradição é vencedor. Vamos usar o exemplo do campeonato Francês para mostrar isso. Em 62 anos que o campeonato existe apenas 1 vez foi vencido por um time da França (Marselha em 92/93) e só chegaram a final em 6 oportunidades, é muito pouco.

    E por ser um time de apenas 49 anos o PSG sente esse efeito mais do que os outros que passaram pela mesma situação (como o Chelsea) devido ao primeiro item da lista. Infelizmente para você ter tradição você precisa ter história, e isso o clube não terá tão cedo.

    Este tipo de coisa dentro de campo é determinante para o time oponente pois sabe que a pressão nesse tipo de time é enorme já que o investimento foi feito e é esperado um retorno disso (o qual o dono disse que em 5 anos conseguiria). Pra fechar com um exemplo prático, você torcedor prefere enfrentar o PSG no Parc des Princes ou Barcelona no Camp Nou? ou o Bayern no Allianz Arena? ou o Real no Bernabéu? Falta a camisa que enverga varal.


    https://doentesporfutebol.com.br/wp-content/uploads/2016/03/2-600x337.jpeg


    Claro que todos esses motivos podem simplesmente ir pro ralo e eu acabar queimando a minha língua, afinal isso é o que sempre nos fascina pelo futebol, nunca existe nada que seja garantido por mais que os números e situações não sejam favoráveis.

    Por isso o futebol é apaixonante, a bola sempre foi e sempre será o maior juiz de quem será ou não campeão.

26 de jul. de 2018

Melhor dos piores ou pior dos melhores?


Ángel Rodrigo Romero Villamayor, ou simplesmente conhecido no Brasil como Romero. É um jogador de extrema garra e dedicação defensiva mas que peca em características básicas de um atacante como técnica, visão de jogo e controle de bola.

Talvez seja essa a visão da maioria das pessoas no Brasil sobre o futebol dele, e lembrei de um comentário no vídeo do Desimpedidos do Ubiratam Leal (também conhecido como livro) que indaga num mesa de debates do canal; seria Romero o melhor dos piores jogadores ou o pior dos melhores?

https://footystats.org/players/paraguay/angel-rodrigo-romero-villamayor
Para responder essa pergunta vamos primeiramente analisar os fatos da maneira menos subjetiva possível, através de números. Desde 2014 no Corinthians Romero teve seu ápice em números em 2016 aonde fez 53 partidas, 15 gols e deu 6 assistências, números relativamente bons para o futebol Brasileiro. Nesta temporada ele fez até agora 32 partidas fez 7 gols e deu 6 assistências totalizando um média de 0.35 gols a cada 90 minutos, médias similares a Marcus Rashford, Leroy Sané, Bernardo Silva, Wayne Rooney, Isco entre outros. Claro que estes dados podem variar já que foram colhidos de uma temporada que já terminou na Europa e ainda está na metade por aqui, mas não deixam de ser menos impressionantes.

Nestes quase 4 anos de Corinthians ganhou 4 títulos: 2 Campeonatos Brasileiros e 2 Campeonatos Paulistas, é o maior artilheiro do novo estádio, o estrangeiro com maior número de partidas pelo clube (196 jogos) e também o estrangeiro com maior número de títulos pelo Corinthians.

Fica evidente que apesar de todos os problemas de técnica que fazem questão de colocar sobre o jogador os números são indiscutíveis, pode não ser um craque mas é um jogador de fundamental importância e participação nas campanhas do Corinthians. Participação aqui é a palavra chave, infelizmente é difícil encontrar estatísticas acuradas sobre futebol aonde muitos sites divergem sobre as informações, mas o que realmente faz falta é uma estatística específica de esportes americanos que analisa exatamente a participação, o Win Share.


Saindo um pouco do âmbito do futebol; Win shares é um livro produzido por Bill James e nele é explicado o conceito de Sabermetria, onde é feita uma análise empírica de dados de desempenho do atleta em uma partida e o quanto isso reflete para o desempenho do time e o resultado do jogo, é amplamente usada no Baseball, mas também no Basquete. Só para se ter uma ideia do conceito aplicado, Lebron James tem um status de 14 Win Shares em 2018 de 82 partidas da temporada regular, ou seja de 82 partidas aonde foram 50 vitórias do Cavaliers o time teria 14 vitórias a menos se Lebron não estivesse no time.

Como este é um conceito não difundido no futebol nunca saberemos através de dados em quantas partidas a participação de Romero mesmo não marcando gols contribuiu para a vitória, mas existem inúmeros exemplos de como muitas vezes jogadores com pouca técnica viraram ídolos de seus times e conquistaram títulos.

Vamos começar com um exemplo mais recente Giroud, foi campeão mundial pela França não marcando um golzinho sequer na copa isso sendo o centroavante de referência, Washington ganhou um Campeonato Brasileiro com o Atlético Paranaense em 2001, Raúl é um dos maiores ídolos da história do Real e sempre foi um jogador de pouca técnica, e não param por ai os exemplos, Inzaghi também tem o mesmo status no Milan, Vieri na Internazionale, Jardel no Grêmio e esses foram apenas os que eu vi jogar e que me vieram na cabeça durante este post. Se títulos fossem tudo, então Giroud seria melhor que Zico por ter ganhado uma Copa do mundo.

Romero com grife
Romero então se encaixa na condição mais humana possível dentro do futebol, ele tem conhecimento de suas deficiências e sabe aonde compensar isso ganhando assim o carinho da torcida e a ira dos rivais com suas provocações tanto dentro quanto fora de campo. Definitivamente ele tem seu espaço e principalmente sua importância na história do Corinthians e isso ninguém pode tirar dele.

Nem o melhor dos piores nem o pior dos melhores Romero é apenas Romero.

24 de jul. de 2018

Criamos um monstro?

Que tecnicamente Neymar é o melhor jogador Brasileiro atualmente ninguém discute, mas será que Renê Simões estava certo ao dizer que estávamos criando um monstro? A célebre frase para refrescar a memória foi dita após a vitória do Santos sobre o Atlético Goianiense por 4-2 em 15/09/2010 aonde a estrela do Santos discutiu com seu treinador proferindo diversos palavrões ao mesmo, e ao ver esta atitude o então treinador do Atlético disse:

"Estou extremamente decepcionado. Eu poucas vezes vi alguém tão mal-educado como esse rapaz Neymar", disse. "Está na hora de alguém educar esse rapaz, estamos criando um monstro"

Cover do Felipão

Oito anos após essa fatídica entrevista, será que ele estava correto na sua afirmação? É notável o quão fraco psicologicamente nosso craque é, sejam por suas atitudes em campo quanto fora dela. O fato é que Neymar deixa a Copa de 2018 como a grande piada mundial.

Há de se dizer que o mesmo veio de uma lesão grave antes do mundial, estava sem ritmo e encontrou uma seleção jogando fora de seu padrão habitual, mas é notório o quanto o mesmo não consegue assumir o papel de protagonista quando exigido, em todos os times que passou em sua carreira o único que conseguiu algum destaque como protagonista foi exatamente quando dividia os holofotes com Ganso, em uma época aonde até se discutia qual dos dois era melhor.

No Barcelona jogou a sombra de um dos melhores jogadores da história do futebol, assim quando era necessário a pressão recaía sobre Messi e não se exigia tanto de Neymar. Nessa circunstância foi a melhor fase da carreira dele até agora, tanto em números quanto em futebol apresentado. A situação não se repete (pelo menos até então) depois de sua transferência para o PSG, sendo contratado como a maior estrela e referência do time não conseguiu brilhar o tanto que desejava e no mundial foi o fiasco que todos vimos.

O grande problema como citei acima é exatamente o psicológico dele, desde a categoria de base do Santos o jogador sempre foi mimado demais, tanto profissionalmente quanto pessoalmente. E sempre que precisou lidar com pressão ou com críticas ele se escora em pessoas que apenas falam o que ele quer ouvir e o blindam para o mundo. O maior exemplo de como ele não amadureceu foi toda a situação que se criou com Cavani, claramente foi um erro da parte dele ao não respeitar uma hierarquia preexistente se achando o dono do time. Esse tipo de atitude só denigre a imagem dele, cria tumulto no vestiário e não ajuda em nada seu objetivo de ser o melhor do mundo.


Outro tipo de blindagem que afetou sua carreira foi o protecionismo que a arbitragem brasileira propõe. Ao apitar qualquer tipo de contato que ele sofre ele se acostumou a acreditar que basta fazer um escarcéu ao mínimo toque que sofre para que a falta seja dada. Porém a realidade europeia é totalmente diferente, a cultura de lá odeia jogadores que tem esse tipo de atitude, inclusive na Espanha existe até um termo pra quem cava faltas "piscinero". E isso atrapalhou demais seu desenvolvimento, fica o exemplo claro da última copa aonde foi negado um pênalti pelo VAR por causa de sua atitude antidesportiva ao parecer que levou um tiro tendo sido tocado na área.

Claro que esse tipo de atitude já está arraigada na cultura brasileira, o famoso jeitinho ou também conhecido como "Lei de Gérson", então por que eu tentaria continuar na jogada se posso tentar ganhar um pênalti? O problema é que esse tipo de pensamento não cabe mais no futebol (e na vida real também, mas ai já é outro assunto) com dezenas de câmeras e recursos de replay e até o VAR agora, cada vez mais esse tipo de atitude tem sido execrada e jogadores que não desistem da jogada tem sido mais aplaudidos. Fica o exemplo de Messi por exemplo que nunca desiste da jogada por mais que apanhe, ou de Suaréz, ou de Cristiano Ronaldo, ou de Mbappé...

O fato é que enquanto o Brasileiro não tiver uma mudança severa em sua atitude e resolver assumir seus erros ele nunca conseguirá ser o que tanto almeja, o melhor do mundo. E pelo visto ele não está seguindo por esse caminho. usando seu Instagram e se fazendo de coitado para tentar amenizar toda a crítica justa que recebeu após a vergonha da Copa.


Renê Simões não só acertou ao dizer que estávamos criando um monstro como viu em sua atitude o que seria o maior problema da carreira dele. Talento e dom infelizmente não compensam as atitudes infantis, tanto é que nem no top 10 dos melhores do mundo ele ficou esse ano. O maior problema de Neymar talvez seja ele mesmo, a vantagem é que ele depende apenas dele para mudar tudo.

18 de jul. de 2018

Vis la république!

E a França se consagrou a mais nova bicampeã mundial entrando para o rol que também contém a Argentina e o Uruguai, contando com uma seleção com muitas novas caras após o fracasso na Eurocopa. Mas o que dá pra tirar de lição para a próxima Copa?

Esses negros maravilhosos

Primeiro vamos analisar o retrospecto. Chegamos com a expectativa de ter um time que capengou no começo das eliminatórias após um mundial vexatório (muito devido a atritos políticos como sempre) mas que teve em Adenor uma redenção, classificamos em primeiro como o melhor futebol da América do Sul e um dos melhores do mundo. 

Porém, nossa maior estrela voltava de lesão após 4 meses parado e a seleção foi convocado sem muitas surpresas. O que aconteceu então que aquele futebol que envolvia e encantava acabou sumindo por um futebol pragmático e sem ideias diante de retrancas? O maior "vilão" se é que é para existir um foi o próprio Tite. Ao não manter a consistência de escalações anteriores (bem verdade devido a lesões de algumas peças chave) o time perdeu em criatividade e eficiência. Sem Renato Augusto e Daniel Alves a seleção canarinho se viu muito dependendo de seu excelente lado esquerdo que foi facilmente anulado na maioria das partidas.


Outra mudança que foi fatal foi a do esquema tático do 4-2-3-1 das eliminatórias para um 4-1-4-1 que não conseguia criar jogadas, no time que encantou tinha escape de qualidade pelas duas laterais, proteção da zaga pelo Casemiro e qualidade tanto na chegada com velocidade no ataque de Paulinho quanto na qualidade do passe da criatividade de Renato Augusto, o time não ficava apenas dependente de Marcelo e Neymar e num geral era muito mais equilibrado dentro de campo tanto ofensivamente quanto defensivamente.


 Acabamos sendo eliminados para a ótima geração belga™ que aproveitou da nossa fragilidade no meio campo para jogar no contra ataque na velocidade de Hazard e De Bruyne. Mas dessa vez a eliminação não foi traumatizante como a da última Copa, e com certeza levamos muito mais coisas positivas do que negativas como resultado dessa campanha.

De longe o maior aspecto positivo foi a volta da identidade do torcedor com sua seleção. Desde a campanha de 2006 que o povo perdeu a sua identificação para com o time do Brasil, vide toda a politicagem e corrupção que correu a imagem da federação e desgastou a relação de amor do brasileiro com seu time. Este mérito ninguém pode tirar de Tite, que peca um pouco as vezes no aspecto tático mas no aspecto pessoal é de longe o melhor do Brasil, Adenor estudou para isso, entendeu que para assumir um desafio não é necessário apenas ter jogadores de qualidade, mas ter também jogadores que se sintam confortáveis para conversar com seu comandante e com isso se sintam mais suscetíveis para receberem ordem que não os agradassem pessoalmente. Gestão humana e meritocracia eram seus lemas e os jogadores abraçaram a ideia.

Queria tanto uma dessa...
Infelizmente essa gestão humana que deu resultados acabou sendo decisiva para o futuro do time na competição, ao não tirar William do time quando Douglas Costa estava claramente melhor e não abrir mão de Paulinho quando o meio campo não apresentava criatividade o time acabou se vendo muito dependente de sua maior estrela Neymar que por inúmeros motivos acabou não rendendo o esperado. Talvez com medo de se queimar com o elenco mudando de postura ou de tomar decisões mais rígidas quanto a escalação Tite acabou fraquejando e insistindo no erro, culminando assim na nossa eliminação.

Talvez o maior passo para a sequencia da seleção já foi dado pela CBF, a manutenção de seu técnico. Não há nenhum motivo para não se confiar no trabalho de seu Adenor nessa nova caminhada pelas eliminatórias e da copa de 2022, seu esquema de gerenciamento pessoal se provou eficiente e com certeza vai ajudar na renovação que será necessária para criar um elenco vencedor.
 
Temos excelentes nomes com potencial para serem grandes craques da próxima geração, além da evolução e da experiência que alguns jovens tiveram com esse mundial, como Gabriel Jesus e Marquinhos terão que provar nesses 4 anos que conseguirão manter a evolução em seu futebol para serem os grandes nomes de suas posições que ficarão carentes. E temos também como possíveis nomes para a renovação Paquetá, Vinicius Junior, Talisca, Arthur, Jemerson, Rodrygo...



O que fica de lição é aprender mais com a França, que renovou completamente seu time, apostou em novos talentos e contou com a experiência de algumas poucas peças (como Matuidi, Lloris e Griezmann) para levar o caneco pra casa. Temos uma ótima geração surgindo e ficará a cargo de seu Adenor promover as mudanças necessárias para que estas joias sejam lapidadas durante as eliminatórias e cheguem com bagagem para a próxima Copa.

E que sejamos pacientes pois um bom trabalho não se dá em quatro anos, veja o exemplo das últimas campeãs mundiais como a Alemanha e Espanha que apostaram num trabalho de 8 a 10 anos para colherem seus frutos.

Mas como a paciência não é uma virtude do brasileiro, somente o tempo nos dirá se tudo dará certo.

30 de jul. de 2015

Elitizaçao do futebol

Vivemos uma época em que temos estádios modernos, arenas multi uso, cadeiras super confortáveis em todo o estádio e telões gigantes. Até que ponto isso é prejudicial para o esporte?

Novo Maracanã

Podem me chamar de saudosista ou romântico, mas apesar de ter apenas 25 anos fui acostumado a ir em estádio no meio da geral, no calor da massa, pulando, gritando e incentivando meu time, e o ingresso era barato! Existia até uma promoção que você trocava produtos de uma marca alimentícia por um ingresso, foi de longe a época em que mais vezes fui no antigo Palestra Itália.

Esse ano tive o prazer de ir no novo Palestra Itália e é muito lindo realmente, escadas rolantes, dois telões gigantescos, campo lindo (até junho), coberturas, cadeiras, wifi, banheiros limpos e tudo que estava no famoso "padrão FIFA", mas oras porras, é claro que o ingresso vai ser caro por todo esse conforto mas quem perde é de longe o espetáculo.

Futebol sempre foi o esporte da massa, do povão, da galera que não tem muito poder aquisitivo para viajar, fazer compras ou ir em restaurantes caros e a prova disso era o futebol na era romântica em que o Maracanã que mostrei acima tinha recordes de público de 156 mil pessoas (!!!) . Isso na época de Zico, por que o recorde de público foi de quase DUZENTAS MIL PESSOAS na final da copa de 50. Hoje o estádio todo renovado e moderno tem capacidade para 78.838 pessoas. Com toda a modernidade instalada e a capacidade de público reduzida sobrou para o coitado do ingresso que disparou o preço sendo comparado a atividades de lazer "elitistas" como as que citei acima. E aonde fica o povo nessa história?



Vi uma entrevista de um senhor flamenguista no Fantástico que dizia que por mais caro que estivesse o ingresso iria fazer o que fosse preciso para acompanhar o Flamengo como sempre o fez em toda sua vida, mas esse tipo de torcedor vai começar a virar raridade nesse meio, já que por mais paixão que se tenha pelo seu clube o bolso sempre vai falar mais alto, isso vai fazer com que só sobre duas alternativas para as pessoas:

O sócio torcedor tem muitas vantagens, deixa o ingresso mais barato, aumenta a média de público nos estádios, da benefícios aos seus membros mas tem um grande contraponto... Só é bom para quem mora na cidade do time. Vamos usar o próprio Flamengo como exemplo, como um time que tem a maior torcida do Brasil não possuí o maior número de sócio torcedores? Pra entender isso temos que olhar o mapa da concentração de torcida:


A torcida do Flamengo apesar de ter uma grande parte de sua torcida no Rio de Janeiro, concentra grandes quantidades de torcedores no Nordeste e em outras capitais do Brasil, inviabilizando assim todas as vantagens oferecidas pelo plano. Isso acontece com todos os outros times, em maior ou menor quantidade.

A segunda opção é assistir seu time pela TV, mas pelos direitos e cotas de TV Flamengo e Corinthians detém mais de 80~90% das transmissões (dados by datafoda-se). Então se você não torce pra nenhum dos dois times acaba tendo que comprar o Pay-per-view ou assistir o jogo de algum "gato" pela internet. O que gera pouca receita para o clube e não resolve o problema em foco, a elitização do futebol.

Infelizmente o que vou dizer é duro, mas isso não tem solução por enquanto aqui no Brasil. A tendência é que cada vez mais os clubes do Brasil tentem seguir o caminho da elitização ou serão jogados ao esquecimento, pelo menos na parte Sul/Sudeste do Brasil. Enquanto as cotas de TV continuarem sendo abusivas com os times menores e tivermos péssimos dirigentes que irão se submeter a essas cotas abusivas pela má gestão de seus clubes, continuaremos até o ponto em que o Campeonato Brasileiro se "espanholizará" aonde o correto seria seguir o padrão da Premier League inglesa em que as médias de público de times da segunda divisão são sensacionais numa divisão muito mais justa.

O maior exemplo de que é possível ter todos os padrões modernos sem perder o charme da arquibancada é o Borussia que reformou seu estádio para a copa de 2006 e manteve um setor exclusivo para a geral, que inclusive da um espetáculo em todos os jogos principalmente os da UCL. E nos proporciona imagens lindas como essa:




15 de jul. de 2015

Ganso - Grande mentira ou gênio prejudicado?

Paulo Henrique Ganso é um nome que divide muitas opiniões, um nome que a uns 4 anos atrás seria unanimidade com a 10 da seleção, é de uns tempos pra cá questionado por sua falta de garra e sonolência em campo, mas aonde foi que o jogador se perdeu nesse caminho?


Quando surgiu naquele time do Santos que ganhou tudo, era apontado como o 10 clássico o cara que pensava o jogo e era inteligente, inclusive sendo comparado ao saudoso Doutor Sócrates. Nesse período ao lado de Neymar ganhou Copa do Brasil, Paulistão e Libertadores, e era apontado por muitos (inclusive este que vos fala) como o melhor jogador do Brasil e o responsável por fazer o Neymar jogar (que eu falava que era supervalorizado).

Ai então veio a lesão do ligamento anterior cruzado do Joelho esquerdo em agosto de 2010, uma das piores lesões que um jogador pode ter. Inclusive ele já havia sofrido da mesma lesão do joelho direito em 2007, mas nessa havia um diferencial, seu psicológico.

Ganso sabia que era seu momento de brilhar na carreira, talento é uma coisa que não se perde mesmo com lesões e ele nunca foi um cara que usava seu físico para brilhar, após o fiasco da Copa de 2010 seria ele Neymar e mais nove, quando soube da lesão seu psicológico nunca mais foi o mesmo tanto que chegou a fazer algumas partidas bem ruins pela seleção e depois pelo Santos (aonde sofreu uma outra lesão) e foi negociado para jogar pelo São Paulo.


Na campanha de vice campeão do São Paulo os números de Ganso são muito bons aonde participou de quase todas as partidas do campeonato, e é um jogador que não se lesiona com frequência. Foi inclusive o líder de assistências do SPFC em 2014. Então aonde a lesão entre nessa questão toda?

É nítido a falta de movimentação do jogador em campo e a falta de vontade de jogar, o corpo dele não acompanha mais o raciocínio e por isso muitas das vezes que tenta uma jogada de efeito acaba não dando certo, aliando isso com toda a expectativa que se tinha em cima dele e o fato dele estar completando 26 anos em 2015, cada ano que se passa sendo mais inviável a transferência dele para a Europa (que era o grande sonho dele) faz com que seja questionado cada vez mais e isso afetou demais ele.

Acredito que o Ganso sofra do mesmo problema que o Dudu vem sofrendo no Palmeiras, criaram tanta expectativas em cima que por mais que ele tenha números bons em suas estatísticas o público quer sempre ver o jogador dando show. E nessa escassez de bons jogadores Brasileiros essa expectativa sempre cresce em cima do Ganso pelo que ele já mostrou.


Pra concluir tudo isso acredito que os próximos 2 anos serão cruciais na carreira dele, se ele conseguir manter a média de 2014 e demonstrar nem que seja um pouco de vontade de jogar futebol pode quem sabe até voltando pra seleção, talento como disse anteriormente é uma coisa que você nunca perde, mas adapta as condições do seu corpo.

E você leitor? O que acha? Deixe seu comentário e até a próxima!

17 de jun. de 2015

Análise tática - Brasil x Colômbia

Salve galera! Depois de quase um ano parado voltamos a ativa com tudo! E por hoje vamos falar sobre o jogo da segunda rodada da Copa América, Brasil x Colômbia.

O time do Brasil no primeiro tempo entrou em campo com uma formação sem um meia definido, alternando a função entre Neymar que atuou mais como um falso 9 o Roberto Firmino jogou enfiado no meio dos zagueiros. O meio armado por Dunga foi completamente atropelado pela intensidade dos meias colombianos e acabou criando apenas uma chance numa cabeçada do Neymar, que acabou nas mãos do Ospina. A dupla de volantes não subiu uma única vez pra ajudar no ataque visto também que não teve chance para tal, e sem um atacante de referência as jogadas pelas pontas foram nulas muito focado nas jogadas pelo meio sem um meio eficiente o Brasil foi engolido.

Por outro lado a Colômbia demonstrou um volume de jogo assustador e só não saiu com um placar mais elástico pelas finalizações ruins de seus jogadores. O destaque do jogo no primeiro tempo fica para Radamel Falcão que fez a função de pivô com maestria e antecipou a zaga brasileira em todas as jogadas, James se apresentou muito para o jogo e criou as principais chances ao lado do sempre liso Cuadrado.

(clique na imagem para ampliar)


No segundo tempo Dunga percebeu que o time não tinha ninguém pra armar o jogo e dar condições de dar o último passe e inteligentemente colocou aquele que considero além do Neymar o craque dessa seleção. Philippe Coutinho no lugar de Fred (que não tem a MÍNIMA condição de ser titular da seleção).

Apesar da alteração o começo do segundo tempo foi igual o primeiro, com a Colômbia perdendo algumas chances boas de ampliar o placar como o chute de Cuadrado que o Jefferson apenas acompanhou e foi apenas isso, a Colômbia fechou a casinha esperando a seleção vir pra cima e jogar no contra ataque, porém o Brasil continuou ineficiente e no mesmo marasmo, (inclusive com um gol perdido sem goleiro) até os 30 min de jogo quando mais duas alterações foram feitas, Tardelli no lugar de Elias e Douglas Costa no lugar de William e isso deu mais posse de bola ao time brasileiro mas sem nenhum perigo para o gol de Ospina.

(Clique na imagem para ampliar)

Mesmo com as alterações o jogo continuou muito ruim e sem nenhum volume de jogo do Brasil, e continuou assim até o fim do jogo aonde alguns jogadores brasileiros caíram na catimba colombiana e acabaram sendo expulsos após o apito final, inclusive o Neymar.

Não vou chover no molhado e falar que falta qualidade a seleção, e que em outros tempos teríamos muito mais opções de qualidade mas vou apontar o que considero o principal erro tanto do técnico Dunga como daquele imbecil que narra o jogo, FALTA CONHECIMENTO.

Com nossos jogadores mais talentosos indo para fora do país cada vez mais cedo, basta ter uma sequência boa em algum time lá fora que você é convocado, algumas vezes até com mérito claro como é o caso do próprio Firmino, mas o grande problema é que nem o técnico, nem o imbecil que narra o jogo sabem quais são as características do jogador e aonde o mesmo é mais eficiente em campo.

Roberto Firmino no Hoffenhein é o camisa 10, o cara que arma o jogo, que aparece na área e que aparece como opção nas pontas, na seleção ele foi cravado como centroavante, o camisa 9, o finalizador. E ele não é caso isolado, vide Oscar na Copa de 2014 que jogou como ponta, Talisca que é o nosso melhor volante de técnica é cravado como atacante também. Nossos melhores jogadores são sacrificados taticamente, nem mesmo o nosso maior craque joga na posição certa! Isso é inadmissível!

Atacante?
Agora, o imbecil que narra (que não quero citar o nome) não saber qual a função do jogador, a posição que ele joga é até compreensível (não perdoável, mas compreensível afinal querendo ou não ele é um formador de opinião), mas o próprio técnico? ai é demais. Enquanto os nossos técnicos continuarem se baseando numa mídia porca e na opinião de meia dúzia de "renomados" nosso futebol continuará assim por um bom tempo. Medíocre.

Isso sem contar a nossa organização máxima de futebol, que passa por um escândalo de corrupção pior que a Petrobrás, mas ai é assunto para outro post, até a próxima!

Ps* Devo dar os parabéns ao Juninho Pernambucano que no meio nesse mar de mijo é o único sensato na televisão esportiva brasileira. 

26 de ago. de 2014

Parabéns Palmeiras! - 100 anos de história

Como torcedor da Sociedade Esportiva Palmeiras não poderia deixar passar esta data tão especial para o clube e para todos os torcedores, hoje 26/08/2014 o clube completa 100 anos. Algo marcante na história de um clube. Faremos uma homenagem aos jogadores que marcaram a história recente do clube.



*Um pequeno adendo, como são muitos jogadores que fizeram parte da história do Palmeiras escolhi apenas alguns para o post não ficar muito extenso, farei uma citação a muitos deles no final do post

Ademir da Guia

Ademir possuí o recorde de partidas pelo Palmeiras, foram 901 jogos com a camisa alviverde. Chamado de "Divino" o meia fez parte da famosa academia da década de 60 e 70, time o qual era o único que conseguia rivalizar com o Santos de Pelé.

Em uma declaração no prefácio para o livro de Kléber Mazziero de Souza, Socrátes afirmou:  

"O futebol nos ofereceu em sua trajetória um grande bailarino, Ademir da Guia, a colocação impecável, a fronte eternamente erguida, a calma irritante, o passe perfeito, a simplicidade dos gestos, o alcance dos passos, a lentidão veloz e o raciocínio implacável ficaram definitivamente em nossa memória. Ademir representou o vértice da serenidade e competência. Passeava pelos gramados como um cisne, encantando a todos. Infelizmente, esse arsenal de qualidades nunca foi usado pela seleção brasileira, que, através de seus representantes, não atendia o clamor popular pela sua convocação, sempre excluindo-o. A cada convocação, todos esperávamos ansiosos e nos perguntávamos se ele seria parte da lista. Injustiça!

É comum ver entre os torcedores mais velho a unanimidade de que Ademir sem dúvidas foi o melhor jogador da história do Verdão, então seria injusto não homenageá-lo também aqui no blog.


 



Émerson Leão



Leão é o goleiro com maior número de partidas pelo Palmeiras, foram 617 jogos com o manto. Conhecido por sua excentricidade, Leão marcou época também com a camisa da seleção brasileira a qual defendeu por 8 anos. É considerado por muitos um dos melhores goleiros da história do Palmeiras.

Ao site do Globo Esporte em matéria comemorativa pelo centenário, Leão relembrou como era fazer parte da famosa academia:

"O Palmeiras ganhava muito porque merecia ganhar muito. Tínhamos adversários maravilhosos como São Paulo, Portuguesa, Corinthians, tinha o Santos de Pelé, mas ganhávamos. Teve um ano que foi exceção e o Palmeiras não ganhou apenas um campeonato, ganhou todos. Em 1972 nós conquistamos cinco títulos. O time estava todo coordenado. Os treinadores eram calmos também. Depois do jogo eles iam falar o quê? Só parabéns. Era isso. Jogava no norte, no sul, era tudo igual. Não tinha diferença. A maneira de jogar do Palmeiras era uniforme"







Evair

Evair ficou marcado na história do Palmeiras pelo título paulista de 93 aonde tirou o time de uma longa fila de títulos, centroavante nato tinha no sangue o dom por fazer gols, marcou história por ganhar também os títulos Brasileiros de 93 e 94 e a Libertadores de 99.

Em recente vídeo de homenagem pelo centenário, Evair declarou:

"É difícil separar a minha vida e minha carreira. Em cada lugar que eu vou eu sou lembrado por ter jogado no Palmeiras. Ganhei vários títulos, fui campeão pelo Vasco, contra o Palmeiras, mas pouca gente se lembra. Fui jogar num dos rivais e o torcedor me perdoou por isso. Meu mundo tem Palmeiras a cada instante. Não consigo separar a minha vida sem essas cores. Aonde eu vou dizem que eu sou palmeirense e as pessoas se manifestam."

  



São Marcos de Palestra Itália
Talvez para a grande maioria dos Palmeirenses da minha geração, São Marcos seja o símbolo extremo de dedicação e amor a camisa, defendeu o clube por 20 anos (1992-2012) e nunca vestiu outra. Também é o maior ídolo recente da história do clube, como conquista marcante teve a Copa Libertadores de 99 aonde foi eleito o melhor jogador da competição que rendeu o apelido de santo.

Não poderia deixar de finalizar este post sem falar dele, afinal é muito difícil falar de Palmeiras sem falar de Marcos. O goleiro deixou uma lacuna imensa no coração dos palmeirenses com sua aposentadoria, e um legado imenso também. Talvez seja o único jogador que conquistou o respeito e admiração dos torcedores rivais, seu jeito simples e "roçeiro" cativa a todos e mesmo após a aposentadoria vem recebendo as devidas homenagens pela sua carreira.

Abaixo no vídeo a reportagem da brilhante carreira deste que pelo menos para mim é o maior ídolo do Palmeiras.


Uma pequena lembrança também a todos que não foram lembrados no post, afinal são 100 anos de história de jogadores memoráveis, então aí vai uma pequena homenagem a todos eles:

- Heitor
- Romeu Pellicciari
- Oberdan Cattani
- Waldemar Fiume
- Jair Rosa Pinto
- Valdemar Carabina
- Mazzola
- Geraldo Scotto
- Julinho Botelho
- Domingos da Guia
- Djalma Santos
- Dudu
- César Maluco
- Luís Pereira
- Edu Bala
- Leivinha
- Jorge Mendonça
- Chinesinho
- Velloso
- Galeano
- Edmundo
- César Sampaio
- Edu Marangon
- Sérgio
- Zinho
- Antônio Carlos
- Alex
- Oséas
- Paulo Nunes
- Arce

Que a história deste clube inspire o atual elenco, que honrem esta camisa que vestem e joguem com raça e vontade, que o sangue que pulsa em suas veias seja verde, que façam o possível e o impossível por terem a honra de vestirem uma camisa com tanta tradição.

Uma singela homenagem também a um dos maiores torcedores palmeirenses que criou a frase mais famosa da história alviverde





















PARABÉNS SOCIEDADE ESPORTIVA PALMEIRAS!

1 de ago. de 2014

Brasileirón

No dia 06/12/2013 a CBF aprovou a nova regulamentação para jogadores estrangeiros, permitindo assim que até cinco gringos estejam presentes na súmula. Mas até que ponto isso influencia o nosso futebol pátrio?


Dado o exemplo de sucesso de alguns gringos, a procura por eles após a alteração da regra foi maior, atualmente o Palmeiras conta com o maior número de gringos (Tóbio, Victorino, Allione, Mendieta, Eguren e Valdívia (?)) muito obviamente influenciado pelo próprio treinador cover do Roberto Carlos. O Grêmio é o próximo da lista com cinco estrangeiros seguidos por Corinthians, Vasco e Vitória (quatro). Mas qual é o reflexo disso no futebol brasileiro?


"San tantas emociones bicho"

A atual geração brasileira não conta com nenhum fora de série além de Neymar, talvez o único que vejo com condições de atingir esse nível pelo seu potencial seja o Oscar do Chelsea, fora isso apenas jogadores "bons" são provenientes da atual safra. Sofremos uma escassez de centroavantes e de meias de criação, posições que em outrora qualquer um teria no mínimo 4 ou 5 nomes na ponta da língua.

Não é exagero vamos usar 2002 como exemplo, o time contava com Ronaldo, Denílson, Romário. Fora nomes fortes como Edmundo, Guilherme (ex-Atlético MG) Luizão, Edílson. Na meiuca é até maldade fazer a comparação, Rivaldo, Kaká, Djalminha, Ronaldinho, Zé Roberto... O futebol brasileiro perdeu a essência de moleque e ganhou consistência tática, desde a base o garoto aprende que a parte tática é fundamental, que marcação é essencial e que sair desse plano é um pecado mortal. Acaba que não desenvolve mais a malícia, o gingado e todas as coisas que o futebol brasileiro tem por raíz.



Com isso apelamos para nossos vizinhos, já que as coisas por aqui não estão fáceis é muito mais fácil contratar dentro de nossa vizinhança, já que o poder econômico brasileiro chega a ser até desonesto com qualquer país da América do Sul. Porém há de ser parar para pensar e raciocinar por um minuto, não podemos simplesmente utilizar a vantagem econômica para que sejam tapados os buracos deixados pela nossa base, é necessário sim a reformulação que todos pregam desde o atropelo alemão só que mudança de mentalidade como nos prova a atual geração espanhola é algo que vem desde pequeno.

Contudo não se deve reprovar a invasão gringa nos clubes brasileiros, contanto que estes venham para somar, adicionar qualidade ao elenco, passar uma visão diferenciada do futebol. Assim como tudo na vida o futebol pode e deve ser um aprendizado a cada dia, a questão é saber como os clubes farão esta adaptação ao jogadores quem já vem da base com um cabresto.

Assim como países como a Espanha e a Alemanha aprenderam com a gente que a qualidade é decisiva no futebol, deveríamos aprender com eles a admitir nossos erros e ter um planejamento traçado desde a formação dos nossos jogadores pelos clubes, afinal o talento é como um diamante a questão é só saber como lapidar ele.





8 de jul. de 2014

Do céu ao inferno em 18 minutos.

Vergonhoso, ridículo, vexatório, obsceno, patético. Não faltam adjetivos para classificar a derrota da Seleção Brasileira hoje por 7x1 no Mineirão, mas a grande verdade é que a única vez que foi apresentado um futebol no mínimo convincente foi durante a Copa das Confederações, é muito pouco para um time com o peso da camisa que tem.

 Não é hora de fazer o que todo brasileiro adora, a caça as bruxas, achar um culpado pelo fracasso. A péssima exibição de hoje só é reflexo daquilo que se produziu durante os 4 anos de preparação para a copa, somado todos os fatores resulta nesse pífio desempenho na "Copa das Copas".


  • Testes excessivos
 Ao todo somados Mano Menezes + Felipão foram testados incríveis 104 jogadores, não há como se criar um grupo consolidado e forte com tantos testes. Nomes como Leandro Castan, André Santos, Carlos Eduardo (aquele mesmo do Flamengo), Bruno César, Renato Abreu (!), Rômulo (ex-Vasco), Jean, Casemiro, Giuliano, Fernando (ex-Grêmio) Wesley e Dudu (Dynamo de Kiev) fizeram parte de algumas convocações. Nomes que claramente não deveriam nem ser cotados para fazer parte do elenco (inclusive esse foi um dos motivos que acarretou na demissão do Mano) não que sejam jogadores ruins, muitos deles fizeram carreiras muito boas e conquistaram títulos pelos times que passaram, mas não tem condições de vestirem a camisa de 5 estrelas.

O correto era se estabelecer um grupo menor com menos jogadores testados para que se criasse uma base, um seleto de jogadores que tem o nível técnico exigido para vestir uma camisa do peso da brasileira, assim criando um mínimo de entrosamento possível.


  • Não ter disputado as eliminatórias
 Talvez essa seja a melhor geração de jogadores sul-americanos que tenha se visto nos últimos tempos, times como a Colômbia, Uruguai, Chile, Argentina com um nível altíssimo e até o Equador e Peru com um nível técnico alto. Como país sede o Brasil teve sua classificação garantida e não disputou o campeonato, o que prejudicou o nível técnico do grupo, amistosos puramente políticos contra times fraquíssimos fizeram a seleção se acomodar e não desenvolver a gana de vitórias, em nenhum momento foi trabalhado o lado da pressão e da necessidade de vencer.

O resultado disso ficou muito claro no jogo contra o Chile, aonde o capitão e um dos pilares do time desabou em choro antes da disputa de pênaltis. Claramente demonstrando a falta de preparo psicológico do time para lidar com a pressão.


  • A dependência do craque
Que Neymar é o destoante dessa equipe é fato, é o jogador diferente que decide em uma jogada , que surpreende a defesa com um passe em profundidade ou com um drible mágico, porém já mostrou em alguns momentos que "some" das partidas, talvez por cansaço ou até pelo excesso de entradas violentas, era necessário ter alguma outra referência outro jogador que dividisse esse fardo com ele. Delegar essa responsabilidade para um jogador de apenas 22 anos chega até ser cruel, é claro que em algum momento ele não iria conseguir resolver.

Nomes como o de Ronaldinho, Kaká, Adriano (se não bebesse mais que Opalão envenenado) poderiam dar mais equilíbrio a essa balança dividindo a responsabilidade com o garoto, mesmo que não estivessem (e realmente não estão) no mesmo nível que apresentaram em outras épocas são nomes de peso que atraem a atenção do adversário.

Em nenhuma outra geração que foi campeã, fomos campeões com apenas um jogador decisivo. Ronaldo e Rivaldo em 2002, Romário e Bebeto em 1994, Pelé e o vasto esquadrão de estrelas que jogaram junto com ele em 70, Garrincha, Vavá e Zagallo em 58 e 62.


  • A teimosia de Felipão
Quem é Palmeirense como eu tinha noção exata que a teimosia de Felipão beirava a insanidade em muitos jogos (essa foi pra vocês Tinga e Massaraujo), que inclusive levou a exaustão com a diretoria que acabou demitindo-o antes do término do campeonato brasileiro de 2012. Ao assumir a Seleção não foi diferente, Turrão como bom gaúcho que é bateu o pé com o esquema tático que deu o título da Copa das Confederações para o Brasil.

O 4-5-1 de Felipão que deu certo na copas das confederações era uma cópia do esquema adotado pelo técnico do Bayern Jupp Heynckes que trucidou o Barcelona.



O esquema que dizimou o time catalão da Champions League de 2013 também funcionou para o Brasil daquela competição. Apesar do único time forte que foi enfrentado na competição foi a Espanha na final, esse esquema tático funcionou perfeitamente como havia funcionado em Abril daquele ano para o Bayern. Uma pressão em todo o campo com o contra ataque objetivo e dedicação tática.


Fica escancarado a cópia do esquema tático inclusive com jogadores semelhantes desempenhando as mesmas funções que os comandados de Jupp Heynckes. Hulk tendo a mesma função de Robben, Neymar sendo o motorzinho do time como Ribery, Oscar responsável por chegar na área e armar jogadas como Muller, talvez a grande diferença seja na qualidade técnica dos selecionados.

A questão é que Felipão manteve o mesmo esquema tático que o consagrou anteriormente para a Copa do Mundo. E logo nos três primeiros jogos ficou evidente a grande falha desse esquema, o meio de campo. Como conta com apenas três jogadores para compor o setor acaba criando um buraco que todos os adversários do Brasil na Copa (com exceção talvez de Camarões) souberam aproveitar. Felipão não soube (ou não quis) corrigir a falha estrutural grave que existia na formação e manteve o mesmo esquema no jogo contra o Chile, e foi dominado.

Vislumbrando talvez a fatídica partida de hoje Felipão conversou com seis jornalistas de peso como PVC e Juca Kfouri para corrigir o grave defeito do esquema chupinhado anteriormente. Provavelmente não deu ouvidos a nenhum dos seis e o resultado foi o que vimos hoje.

Isso sem contar com os jogadores jogando fora de sua posição de origem como Hulk pela ponta esquerda e Oscar pela ponta direita. Aliás, mesmo em amistosos quando a seleção jogou contra os times que são consideradas as potências fomos patéticos técnica e taticamente.

Foi bem aí mesmo que você e todos nós levamos

É necessário entender que não existe um culpado pela ridícula eliminação da seleção na copa, não existem heróis ou vilões. Enquanto acharmos que títulos passados nos fazem ser melhores que os outros continuaremos com apenas cinco estrelas estampadas na camisa. É preciso neste momento pegar os estilhaços da nossa honra que ficaram espalhados no chão, corrigir os erros e levantar os pontos bons deste time e que podem ser aproveitados para o futuro.

13 de abr. de 2014

Ituano campeão! Por quê?

E o Ituano se sagrou campeão Paulista de 2014, mas o que este time do Presidente Juninho Paulista e do técnico Doriva teve que superou seus adversários com muito mais qualidade técnica? A resposta é a aplicação defensiva.



Comparando um pouco com o esporte mais popular nos Estados Unidos o futebol americano é muito mais comum este tipo de prática defensiva, quem acompanhou a final do Super Bowl esse ano viu o Seattle Seahawks (melhor defesa da liga) atropelar o Denver Broncos (melhor ataque da liga). Puxando uma estatística desde o primeiro Super Bowl em 6 edições anteriores que houve o confronto entre melhor defesa x melhor ataque, a defesa levou o caneco em CINCO vezes.

Mas como o assunto aqui é o futebol vamos comparar algumas campanhas notáveis de times extremamente defensivos, como por exemplo a Suiça.



O futebol Suiço começou a ter destaque na copa de 2006, quando se classificou em primeiro na fase de grupos (deixando nada menos que a França para trás) e caiu nas oitavas de final para a Ucrânia nos pênaltis, o grande detalhe é que a equipe foi eliminada da copa sem ter levado um gol sequer. E desde então o time evoluiu, e na copa de 2010 não se classificou por pouco (e depois da vitória histórica contra a Espanha por 1x0).

Atualmente a Suiça é a OITAVA colocada no ranking geral da FIFA (link aqui pra quem duvida), a frente de seleções como Itália, Inglaterra, Bélgica, Holanda e França isso jogando um futebol extremamente burocrático e aplicado defensivamente, como foi o caso desse Ituano.

O Ituano teve como seu pilar o zagueiro Anderson Salles artilheiro do time na competição. Além de passar muita segurança, suas cobranças de falta fizeram a diferença nas poucas oportunidades que o time criava a frente, o lema de times tão defensivos assim é ser extremamente eficiente quando as chances aparecem, inclusive outro exemplo mais recente de time que fiz sucesso jogando um futebol assim foi o Grêmio ano passado (2ª colocado), o que gerou muita revolta da torcida por ver aquele futebol "feio".

Como diria o folclórico Dadá Maravilha, "Não existe gol feio, feio é não fazer gol". A frase pode ser adaptada a este novo padrão tático que vem surgindo no futebol brasileiro, "Não existe futebol feio, feio é perder!". É tão notável a mudança de atitude do futebol brasileiro que hoje todo mundo consegue escalar 3 zagueiros certos para a copa do mundo (Thiago Silva, Dante e David Luiz), mas eu duvido que alguém consiga escalar os dois camisas "nove" que vão pra copa.





Não que isso seja ruim, a variação de estilos e táticas é o que da todo o charme ao futebol, mas que é muito mais agradável você assistir um jogo mais ofensivo isso é fato.

No mais parabéns ao Ituano, e principalmente ao Doriva e o Juninho Paulista que fizeram das tripas coração pra levar um time quase rebaixado por 2 ou 3 anos seguidos ao título Paulista de 2014.

20 de mar. de 2014

Seleção sem Falcão - Cabo de guerra

Que Falcão é o maior nome da história do futsal isso é inegável, seu legado para a seleção ficará marcado por gerações devido ao seu talento e genialidade, e hoje ele anunciou que não jogará mais pela seleção Brasileira de futsal mais por uma queda de braço política que pelo seu desempenho técnico, afinal mesmo com 33 anos seu rendimento ainda é de altíssimo nível e a sua ausência será sentida mais ainda nos bastidores do que nas quadras.


Imagine que exista uma cota de jogos da seleção de futsal na TV (Mundiais, amistosos internacionais, campeonatos sulamericanos, aqueles jogos que a Globo cria e etc) e que este valor foi determinado em X devido a presença do craque, com a sua ausência o ibope diminuí as cotas diminuem e ai vai doer aonde mais dói, no bolso.

É uma atitude de pressão do Falcão que sabe o seu valor e tenta com a ajuda de outros campeões mundiais derrubar a máfia que existe hoje na CBFS (assim como existem em diversos setores públicos e privados), fora que se existe hoje um contrato da seleção com a Globo é provável que exista uma cláusula para a participação do jogador o que torna a briga não apenas dos jogadores, mas da emissora também e aí o buraco é bem mais embaixo.

Não quero entrar em questões políticas, afinal este é um blog de futebol e mesmo com toda a podridão que existe nos bastidores não apenas do futsal, mas dos esportes em geral é melhor vermos apenas o legado belíssimo que ele deixa para a seleção.


 

12 de fev. de 2014

Cadê o centroavante?

Durante muito tempo ficamos acostumados a um pragmatismo tático devido a função do matador, o camisa 9, aquele cara caneludo mas que empurra a bola pra rede. Tanto é que existem inúmeras figuras folclóricas provenientes dessa posição.

Legal esse tal de Japão, só tem carro importado!
Brincadeiras a parte o ponto é que existe um fator crítico em nossa seleção. O primeiro é nosso ilustre treinador que é um turrão e não consegue jogar em um esquema sem a referência de área, e o segundo é que não existem muitos nomes para a posição atualmente. Fred é a única unanimidade no setor porém está voltando de uma lesão grave e não sabemos se o futebol dele irá render o mesmo que na Copa das Confederações, logo temos seu reserva imediato o Jô.

Me desculpem, mas para uma seleção que já teve Pelé, Romário, Ronaldo, Careca, Jô é brincadeira né? E então imaginemos a seguinte situação: Na última convocação antes da Copa Fred está lesionado e é necessário um Centroavante titular para ocupar a função dele, quais são os nomes que temos?

Jô, Pato, Luis Fabiano, Alan Kardec, Hernane, Leandro Damião, Walter... Nenhum deles faz sequer sombra para o Fred, o melhor nome que tínhamos era o Diego Costa, mas ele fez questão de dizer um belo não para sua pátria.

Adauto Chupetinha
Talvez esta seja a primeira seleção que a parte defensiva seja muito melhor que a ofensiva, isso se tratando de Brasil chega a ser no mínimo ultrajante.

O que me deixa mais frustrado talvez nem seja o fato que a seleção está carente de centroavantes, mas é pensar que o Adriano se não bebesse mais que Opalão envenenado seria titular absoluto a pelo menos uns quatro ou cinco anos.

E pensar que até o Grafite já foi pra uma copa...